Não há levantamentos que nos digam quantos são hoje os retornados. É provável que sejam vários milhares no Benim e na Nigéria. Em Gana, os tabons dizem ser 40 mil, mas não há comprovação. E esses números não consideram os descendentes de retornados que migraram para o interior do continente, ou ainda para outros países — como os Souza que, por estarem em toda a parte, tiveram que criar um “Conselho Supranacional” e marcar grandes reuniões anuais que parecem convenções rotarianas. Tampouco o legado dessa comunidade é de fácil inventário. Não se sabe exatamente quantas casas brasileiras ainda subsistem, quantos grupos de burrinha e quantas associações de descendentes.
Mas, apesar dessa imprecisão, ainda é possível dizer que os “brasileiros” da África são muitos, e que uma parte deles ainda se apega à cultura de seus antepassados, mesmo que vivam em bairros e casas que já não são brasileiros. Festas como a de Nosso senhor do Bonfim e o carnaval de Lagos ainda reúnem centenas dessas famílias. Muitos ainda assistem as apresentações da burrinha, mesmo que ninguém mais entenda a letra das velhas canções. E muitos ainda comem a feijoada, o cozido, o arroz doce e o pirão.
É a dedicação de alguns desses retornados o que explica, em boa medida, o apego desses “brasileiros” à cultura e aos valores do passado. Gente como os irmãos Amaral em Porto Novo, animadores de apresentações da burrinha; George Olympio, criador da “Fraternidade”, uma associação de descendentes em Cotonu; Graciano Martins em Lagos, fundador da “Brazilian Descendants Association”; ou ainda Christian de Souza, em Uidá, e Karim da Silva, ex-cônsul honorário do Brasil, que dedicou sua fortuna à criação de um Museu da Silva em Porto Novo.