Quase duzentos anos depois de os primeiros contingentes de retornados terem cruzado o Atlântico de volta à África, o Brasil continua presente nos hábitos culturais dessa comunidade, seja no Benin, na Nigéria, no Togo ou em Gana. Influências brasileiras sobrevivem na culinária local, com pratos típicos consumidos em ocasiões festivas, da feijoada ao cozido, do mingau ao arroz doce. No folclore, ainda se assiste à dança da burrinha durante a festa de nosso senhor do Bonfim, em cidades como Porto Novo e Uidá. Em Lagos, um carnaval fora de época continua reunindo famílias que desfilam ao som de uma música cuja melodia lembra a dos antigos ranchos da Folia de Reis. Já em Acra, capital de Gana, os Tabom tocam e dançam o agbé, uma música cantada no iorubá trazido da Bahia, pois em Gana ninguém fala iorubá. No que se refere à religião, ainda vemos a força de um catolicismo trazido do Brasil e muito presente no dia-a-dia da comunidade, que frequentemente o colore, também como no Brasil, com as cores mais vivas dos ritos dos orixás e dos voduns. Também o português, que a maioria dos retornados já não fala, ainda pontua, com algumas palavras e expressões, os idiomas locais e o cotidiano da comunidade. Finalmente, temos a arquitetura, a marca mais visível dessa influência, que marcou de brasilidade as fachadas de bairros inteiros, em cidades como Lagos, Porto Novo e Uidá, mas que, como o resto dessa presença, também aos poucos vai desaparacendo.