As primeiras levas de retornados que deixaram a Brasil viajaram deportados da Bahia, por suspeita de participação na Revolta dos Malês (1835), ou acompanhando alguém que havia sido deportado.
Nos anos seguintes, outros partiram em busca de suas origens, ou simplesmente fugindo da perseguição e da falta de oportunidades de um país que ainda engatinhava no processo de emancipação de seus escravizados.
Instalaram-se na região do Golfo do Benim, constituindo comunidades que se distinguiam das demais por sua brasilidade – pois, apesar de se verem obrigados a deixar o Brasil, o Brasil não os havia deixado. Com o passar dos anos, contribuíram para a prosperidade das sociedades às quais se integravam, desenvolvendo o comércio e marcando as cidades onde viviam com uma arquitetura brasileira. Constituíram uma pequena burguesia capitalista, feita de artesãos, carpinteiros, pedreiros e comerciantes.
O final do século XIX viu o apogeu dessas comunidades. Foi quando prosperaram as suas maiores fortunas e cresceram os bairros ditos “brasileiros”, em cidades como Lagos, Porto Novo e Uidá, com seus sobrados e suas igrejas. No início do século XX, partiram do Brasil os últimos navios com destino a Lagos, onde ainda alguns velhos libertos decidiam morrer. Meio século depois, já não viviam sequer os da terceira geração.
Apesar disso, passados quase dois séculos das primeiras viagens de retorno, esses retornados, chamados agudás no Benin e no Togo, e tabom em Gana, ainda formam uma comunidade singular, unida por sobrenomes brasileiros e uma história que todos gostam de citar.